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Saúde  |  Quarta, 22 de Setembro de 2021, 08h53min

Dor orofacial, na cabeça e pescoço, pode indicar problemas dentários?

Incômodos na região da face, cavidade bucal e até dor de cabeça podem ser tratados por dentistas especialistas em dor orofacial e DTM.

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Fonte: g1.globo.com
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Dor orofacial, na cabeça e pescoço, pode indicar problemas dentários?

DTM), que gera dor orofacial e comprometimento da articulação da mandíbula, é um dos problemas de saúde mais comuns no mundo. No Brasil, estima-se que esta condição acomete cerca de dois milhões de pessoas, número que se iguala ao da doença cárie. Todas as dores que se manifestam na região da face, cavidade bucal e, inclusive algumas dores de cabeça, podem e devem ser diagnosticadas e tratadas pelo cirurgião-dentista especialista na área.

Conforme explica o professor doutor Paulo Cunali (CRO/PR 3253), alguns sinais podem indicar que a DTM está presente. São exemplos os estalidos nas articulações (chamadas de ATMs) ou barulhos, como se houvesse "areia" nos movimentos da mandíbula, bem como as dores próximas do ouvido, na face ou na cabeça durante a mastigação e bocejo.

"O diagnóstico correto da dor orofacial e DTMs não é simples. O tratamento deve ser individualizado e de forma sistêmica, buscando sempre o alívio dos sintomas, a recuperação da função e a manutenção do estado funcional", esclarece o Prof. Cunali. Ele é pesquisador na área de Medicina do Sono, professor na UFPR (Universidade Federal do Paraná) e idealizador da Clínica da ATM, especializada em dor orofacial e DTM.

Segundo o cirurgião-dentista Daniel Bonotto (CRO/PR 15453), professor do curso de especialização em DTM e Dor Orofacial da UFPR, as DTMs apresentam causa multifatorial. Entre as mais frequentes estão a sobrecarga no sistema mastigatório, por conta do bruxismo (hábito de ranger e/ou apertar os dentes) e propensão genética. Além disso, outras comorbidades que tem como sintoma a dor, como a fibromialgia, dor crônica e enxaqueca, também aumentam o risco de desenvolver o problema.

Desta forma, o diagnóstico, salientam os profissionais, deve ser feito por um especialista na área para que se trace um tratamento individualizado. Isso porque o tratamento deve "respeitar o grau de complexidade e cronicidade", salienta Cunali, principalmente se a dor apresentar um comportamento "estranho" e sem padrão. "Temos que esclarecer que existe um tipo de dor denominada como dor referida, cujo diagnóstico é mais difícil de se determinar. Muitas vezes, ela pode levar a tratamentos equivocados, gerando sofrimento desnecessário ao paciente.”

Cunali exemplifica: uma disfunção num músculo da mastigação pode ser percebida pelo paciente como uma dor de dente e levar a um tratamento de canal, mesmo sem que o dente seja o responsável pela dor. Da mesma forma, um problema na musculatura cervical, com dor na face como sintoma, pode levar a indicação de uma placa interoclusal sem necessidade.

Como tratar as DTMs

Conforme esclarece Paulo Cunali, para casos agudos, os protocolos envolvem medidas comportamentais, exercícios mandibulares e uso de placas. "Já os mais complexos, requerem, muitas vezes, terapias de suporte como termo ou crioterapia, eletroterapias, acupuntura, farmacoterapias específicas e infiltrações. O emprego das injeções intra-articulares, da aplicação da toxina botulínica e dos procedimentos cirúrgicos são mais complexos. Por isso, são dirigidos para casos mais complexos e crônicos", pontua.

Os tratamentos invasivos, lembra Daniel Bonotto, são indicados apenas quando o paciente não responde bem às terapias mais conservadoras. Dessa forma, é importante que as pessoas se atentem ao problema e não deixem "para depois", já que a dor orofacial e DTMs podem se tornar crônicas, dificultando o tratamento.

Dores neuropáticas

Outra dor orofacial altamente impactante está ligada ao grupo das dores neuropáticas, pontua Cunali. Uma delas é a neuralgia do trigêmeo. Ela se manifesta como uma espécie de choque elétrico na região da face e boca, desencadeada por estímulos que não deveriam gerar dor, como escovar os dentes.

 

"Existem outras dores neuropáticas contínuas que surgem após algumas cirurgias, como colocação de implantes ou extração de dentes. Elas devem ser corretamente diagnosticadas e tratadas, pois trazem prejuízo para a qualidade de vida do paciente", salienta o especialista. "Se você tem qualquer dor na cavidade bucal e/ou na face, procure o especialista em Dor Orofacial e DTM. Principalmente, se tiver dor na função mandibular. Você não precisa sentir dor", ressalta Cunali.

Por fim, fora do universo da dor orofacial, o dentista trabalha na promoção da saúde, frisa Daniel Bonotto. "É sempre importante pensar na prevenção de doenças infecciosas bucais, como cárie, periodontite, bem como prevenção de câncer de boca. Por isso, visitas regulares ao cirurgião-dentista são importantes, mesmo na ausência de sintomas. Pensando em sintoma, toda e qualquer dor orofacial que esteja relacionada à atividade mastigatória, ou que piore com a fala ou bocejo, deve motivar o paciente a buscar ajuda de um cirurgião-dentista.”

 

 

 
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